Senhores, devido a reclamações posteriores, decido dar uma introdução um pouco mais palpável a vocês. Afinal a prática funciona melhor que a teórica em alguns casos.
E lendo por vocês mesmos, vocês agora ficam aptos a tirarem suas próprias conclusões da narrativa. Só um gostinho do que vêm a seguir.
Daniel Liu
Olhos Eternos RPG: A Crônica de Átala
“Há muito tempo rumei ao seu encontro... porém, aqui e agora tenho a certeza de que jamais nos encontraremos novamente”.
Aledon Talguem.
Prólogo
“Tudo o que eu tive até hoje foi um nome. E desde o inicio eu soube que não fora o suficiente.
O meu pai há muito tempo atrás, ajudou a derrotar o mais poderoso homem de toda Irígnia.
Meu avô retirou do peito deste homem um demônio, de onde ele retirava todo seu poder.
Então aqueles que seriam minha família conseguiram trancá-lo em um lugar de localização desconhecida.
E como tudo tem um preço... Os meus pais não retornaram desta cruzada. E este preço é o que eu pago até hoje.
Meu nome é Aledon Talguem. 'O' filho de Alathor Vermangoes e Níneri Talguem.
Sou fruto de uma aliança lendária que há milênios não ocorria. Sou um meio-humano.
Morei toda minha vida com o povo elfo, que às vezes me tratava com desprezo, às vezes com cordialidade excessiva e às vezes faziam menções... Como se minha impaciência em relação às respostas fosse à chave de tudo.
Quando me despedi de Èdrin não me trataram com surpresa, muito menos com pesar... Era como se isso fosse meu destino.
Quase que instantaneamente à minha decisão, flashes invadiram minha mente, revelando alguns nomes e imagens... E assim como minha progenitora, eu tinha visões sobre o futuro. Era um dom, que chamavam de oráculo.
Parti de Èdrin sem saber o que encontrar. O preço que eu estava a pagar era caro demais, e no fundo eu sempre soube que lá não era o meu lugar... No fundo, bem lá no fundo.
E sem sequer olhar uma vez para trás...
Parti.
Parti carregando uma habilidade divina. Via coisas que aconteceriam logo após, num futuro não tão distante. Eram iluminações que percorriam minha cabeça, deixando para trás o futuro.
E lá estava ele. O nome Àtala. Cravado como uma ferradura na minha cabeça.
Eu tinha de certa forma medo do mundo. Admito. Por isso parti com roupas que me recobrissem por inteiro, e percorrendo tais florestas fechadas de Èdrin, tentava imaginar o que me aguardava lá fora.
Reinos humanos, reinos visitados pelo meu pai Alathor, antes de partir para a grande batalha. Mais e mais eu pensava nestes reinos humanos... E mais e mais, reconhecia a grandeza deste caminho, e a grandeza do meu pai.
Era natural o filho seguir os passos do pai... E a cada um que eu dava recordava-me parte das historias dele, histórias passadas a mim durante estes anos.
E isso me dava uma intensa sensação estranha. Sentia que ele... O meu pai é como se ele estivesse me esperando em algum lugar.
E no meio de tais florestas, sabia agora o que procurar. Recordo-me do 'preço' da enorme batalha. 'Seus pais partiram'. Meus pais me deixaram para trás. Fui abandonado.
Não sei o motivo. Mas também não me interessa. Quero encontrar nem que seja a pedra da lápide do túmulo de meu pai.
Terei então a real certeza de que, mais do que nunca, haviam me abandonado e que desta vez seria para sempre...
Demorei dez dias inteiros de caminhada para sair destas densas florestas.
Começava a minha história”.
Capitulo I - “O berço das trevas”
O lento trote dos cavalos parecia lhe ninar. Contínuo e nauseante. Distantes e constantes eram os passos dos eqüinos que guiavam a carruagem. Lentos à brisa sua branca crina se entregava e cavalgava sobre o vento assim como os passos de seus donos. Olhando desatentos, seguindo ordens de quem os guiava, caminhavam de forma rígida sobre o chão de terra batida da estreita estrada.
Cabelos loiros pendurados na janela da carruagem, e seus fundos olhos eram a face do seu cansaço. Mar de cristalinas águas, doces sonhos carregavam em suas águas que lubrificavam seu olhar. Por fora a fadiga de exaustão, de uma vida sedentária de mulher das terras medievais. Cabelos ressecados pelo clima árido pendiam e balançavam pelos solavancos de seus fieis servos eqüinos. O monge que ia em sua rústica carruagem, praticamente hibernava ao seu lado. O sonolento ar que impregnava o interior da carruagem a destruía por fora, sua vitalidade jovem de mulher. O frescor da mata virgem tocava-lhe o rosto e refrescava seu espírito devagar. Devagar, pois era de se esperar de uma bela manhã de sol. Pensava consigo que, se não fosse essa viagem, tudo seria perfeito.
Sascirce ainda não havia se acostumado àquelas viagens de longa distancia que fazia a mando de seu pai. Longas e nauseantes pensava e a paciência, que ela não possuía, começava a aborrecer-lhe. E imersa em seu próprio descontentamento, viu um vulto na estrada.
Rápido. Foi seu único pensamento sobre o fato. Se é que se pode dizer que pensou muito, ao colocar sua cabeça para fora da carruagem para ver o que sucedia. Nada além de árvores pôde enxergar. O clima pesado da umidade dentro da mata parecia deixar tudo ao seu redor ainda mais lento e vagaroso, cansativo e confuso.
Voltou-se.
Quando abruptamente a carruagem parou. Os cavalos relinchavam adiante dela enquanto ela gritava o nome do coche, com sua voz feminina e leve. Gritou “Nabou”, mas não havia resposta. Um misto de temor e preocupação com a vida de seu subordinado a fez saltar diante da porta da carruagem, para então ir atrás do responsável pela turbulência em sua viagem. Deixando então para trás a carruagem, ela saltou.
O som da mata a perturbava. O “silêncio” era o que na verdade a matava. Lentamente se aproximou dos cavalos tocando em seus lombos devagar, os acariciando para que ficassem mais quietos. Chamando novamente o coche da carruagem, sem obter resposta, percorreu sua visão ao seu redor. Olhou o topo da carruagem, onde ele deveria estar guiando, porém lá não estava.
Gritou então mais alto ainda o nome do coche. Enquanto se escorava em um dos cavalos, o mistério fazia seu coração palpitar cada vez mais rápido.
E a passos lentos Sascirce caminhou em direção ao outro lado da carruagem. Sob suas retinas, olhos atentos e pupilas arrebentadas pelo temor. Porém, foi quando deu a volta, que ela o encontrou.
O terror da morte atingiu seu pasmo rosto feminino, enquanto ao chão pendia um corpo sem vida de um monge, lançado à fria terra batida. E em seu pescoço, uma flecha certeira que manchava o marrom do chão, em vermelho sangue. Segundos após o choque, paralisada e prestes a ter um ataque nervoso, Sascirce ainda sem proferir palavra alguma correu então até o corpo inerte ao chão. Suas lágrimas, apesar de não correrem por ele, corriam pelo medo. Medo do desconhecido, ou mesmo medo da morte eminente. Nem ela tinha discernimento suficiente para entender a si mesma naquele momento. Um misto de medo, pena, e imaginação... Pois quem quer que seja o responsável pela morte, não parecia que hesitaria em fazer o mesmo a ela.
Debruçou-se junto ao corpo em prantos. E , sobre os retalhos de roupas, tentou erguer o inerte corpo ainda quente em vermelho sangue que se esvaia de sua jugular. Havia sido uma flecha certeira. Estava tão enterrada no pescoço do monge, que parecia quase chegar até o outro lado de sua carne, e, situada de tal forma, que bem provavelmente ele nem tenha se dado conta do que havia lhe atingido. Foi um tiro no escuro para o homem. Pois uma flecha silenciosa mataria qualquer um. E num novo assobio que cortou o ar mais uma vez... Outra flecha se chocou ao cadáver tão abruptamente, que uma única singela gota de sangue agarrou-se ao rosto da jovem, enquanto a flecha se enterrava no pescoço do defunto.
Sascirce virou seus olhos para a direção do lançamento da flecha. Foi quando ela o viu. Era um homem de porte médio, com cabelos negros tão compridos e lisos que cobriam parte de seu rosto, trajava negro e amparava um enorme arco prateado. Lentamente ele caminhava em direção a Sascirce. Foi quando ela percebeu outro pequeno detalhe no assassino. Ele possuía orelhas pontudas que saiam de fora a fora de seus negros cabelos.
Era um elfo.
– Perdão pela intrusão.
Era uma voz nítida e decidida.
– Eu não queria atrapalhar seu momento de ternura senhorita.
A jovem ergueu-se rapidamente em susto. Enquanto da carruagem saia outro monge, o qual correu rapidamente deixando somente para trás seus suspiros de decadência física sedentária, e, sem entender coisa alguma, proferiu algumas palavras para si e aproximou-se do corpo morto.
– Procuro uma coisa importante senhores...
Disse o misterioso assassino. Seu gélido olhar os fazia paralizarem... E sem mais proferir palavra alguma, o gordo monge correu mata adentro sozinho.
Instantaneamente o elfo ergueu seu arco ao céu e, engatilhando mais uma flecha, fez um ângulo alto e sem sequer olhar onde atirava, fez com que a flecha percorresse o céu acima das árvores, e subiu, e subiu, e quando desceu, ela caiu como um raio vindo dos céus. Ao longe pode se ouvir somente um grito abafado.
Imerso no êxtase de seu próprio sucesso, esboçou um largo sorriso cínico, esperando ter alguém para “apreciá-lo”. Mas não havia. Ele havia se descuidado, e neste descuido a mulher havia sumido.
Novamente sorriu para si mesmo. Achou graça da situação... Afinal, também não podia matá-la. Se ele a matasse, sobraria quem para interrogar? Os cavalos?
Entrou na mata como uma de suas flechas.
Como um raio, ele a perseguiu.
Meu Deus o que irá acontecer com Aledom!!!
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