terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Crônica de Átala - Até Parte 2









Novas revisões, estou sem tempo de atualizar sempre as histórias corrigir e até de escrever, e para não perder o fio da meada, eu decidi recolocar os capítulos anteriores da mesma história até a última parte publicada. Outro motivo é que a história está sobre constante revisão, então eu posto novamente o capítulo com a revisão mais recente.  

Quem gostou dá um "Up"
Você pode comentar lá embaixo ou clicar seguir, lembrando que não precisa ter um blog para clicar seguir este blog. Obrigado


Olhos Eternos RPG : A Crônica de Àtala


“Há muito tempo rumei a seu encontro... porém, aqui e agora tenho a certeza de que jamais nos encontraremos novamente”.

  Aledon Talguem

Prólogo I

  “Tudo o que eu tive até hoje foi um nome”. E dês do inicio eu soube que não fora o suficiente.
  O meu pai há muito tempo atrás, ajudou a derrotar o mais poderoso homem de toda Irígnia.
  Meu avô retirou do peito deste homem um demônio, de onde ele retirava todo seu poder.
  Então aqueles que seriam minha família conseguiram trancá-lo em um lugar de localização desconhecida.
  E como tudo tem um preço... Os meus pais não retornaram desta cruzada. E este preço é o que eu pago até hoje.
  Meu nome é Aledon Talguem. “O” filho de Alathor Vermangoes e Níneri Talguem.
  Sou fruto de uma aliança lendária que há milênios não ocorria. Sou um meio-humano.
  Morei toda minha vida com o povo elfo, que às vezes me tratam com desprezo, às vezes com cordialidade excessiva e às vezes fazem menções... Como se minha impaciência em relação às respostas fosse à chave de tudo.
  Quando me despedi de Èdrin, não me trataram com surpresa, muito menos com pesar... Era como se, isso fosse meu destino.
  Quase que instantaneamente à minha decisão, flashs invadiram minha mente, revelando alguns nomes e imagens... E assim como minha progenitora, eu tinha visões sobre o futuro. Era um dom, que chamavam de oráculo.
  Parti de Èdrin sem saber o que encontrar, e o preço que eu estava a pagar era caro demais, e no fundo eu sempre soube que lá não era o meu lugar... No fundo, bem lá no fundo.
  E sem sequer olhar uma vez para trás...
  Parti.
  Parti carregando uma habilidade divina. Via coisas que aconteceriam logo após num futuro não tão distante. Eram iluminações que percorriam minha cabeça deixando para trás, o futuro.
  E lá estava ele, o nome Àtala. Cravado como uma ferradura na minha cabeça.
  Eu tinha de certa forma medo do mundo. Admito. Por isso parti com roupas que me recobrissem por inteiro, e percorrendo tais florestas fechadas de Èdrin, tentava imaginar o que me aguardava lá fora.
  Reinos humanos, reinos visitados pelo meu pai Alathor, antes de partir para a grande batalha. Mais e mais eu pensava nestes reinos humanos... E mais e mais, reconhecia a grandeza deste caminho, e a grandeza do meu pai.
  Era natural o filho seguir os passos do pai... E a cada um que eu dava recordava-me parte das historias dele, histórias passadas a mim durante estes anos.
  E isso me dava uma intensa sensação estranha, sentia que, ele... O meu pai é como se ele estivesse me esperando em algum lugar.
  E no meio de tais florestas, sábia agora o que procurar. Recordo-me do 'preço' da enorme batalha. 'Seus pais partiram'. Meus pais me deixaram para trás. Fui abandonado.
  Não sei o motivo, mas também não me interessa, quero encontrar nem que seja a pedra da lápide do corpo de meu pai.
  Terei então a real certeza, de que mais do que nunca, haviam me abandonado, e agora seria para sempre...
  Demorei dez dias inteiros de caminhada para sair destas densas florestas.
  “Começava a minha história”.


Capitulo I - “O berço das trevas



  O lento trote dos cavalos parecia lhe ninar. Contínuo e nauseante. Distantes e constantes eram os passos dos eqüinos que guiavam a carruagem. Lentos à brisa sua branca crina se entregava e cavalgava sobre o vento assim como os passos de seus donos. Olhando desatentos, seguindo ordens de quem os guiava caminhavam de forma rígida sobre o chão de terra batida da estreita estrada.    
  Cabelos loiros pendurados na janela da carruagem e seus fundos olhos eram a face do seu cansaço. Mar de cristalinas águas, doces sonhos carregavam em suas águas que lubrificavam seu olhar. Por fora a fadiga de exaustão, de uma vida sedentária de mulher das terras medievais. Cabelos ressecados pelo tempo seco, pendiam e balançavam pelos solavancos de seus fieis servos eqüinos.
  O monge que ia em sua rústica carruagem, praticamente hibernava ao seu lado. O sonolento ar que impregnava o interior da carruagem a destruía por fora, sua vitalidade jovem da mulher. O frescor da mata jovem tocava-lhe o rosto e refrescava seu espírito devagar. Devagar, pois era de se esperar de uma bela manhã de sol, pensava consigo, que se não fosse essa viagem, tudo seria perfeito.
  Sascirce ainda não havia se acostumado àquelas viagens de longa distancia que fazia a mando de seu pai. Longas e nauseantes pensava, a paciência que ela não possuía, começava a aborecer-lhe. E emersa em seu próprio descontentamento, viu um vulto na estrada.
   Rápido. Foi seu único pensamento sobre o fato. Se é que se pode dizer que pensou muito, ao colocar sua cabeça para fora da carruagem para ver o que sucedia nada além de árvores pode enxergar.
   O clima pesado da humildade dentro da mata parecia deixar tudo ao seu redor ainda mais lento e vagaroso, cansativo e confuso.  Voltou-se.
  Quando abruptamente a carruagem parou. Os cavalos relinchavam adiante dela enquanto ela gritava o nome do coche, com sua voz feminina e leve.
  Gritou “Nabou”, mas não havia resposta. Um misto de temor e preocupação com a vida de seu subordinado a fez saltar diante da porta da carruagem para então ir atrás do responsável pela turbulência em sua viagem. Deixando então para trás a carruagem, ela saltou para fora.
  O som da mata a perturbava. O “silêncio” era o que na verdade a matava. Lentamente se aproximou dos cavalos, tocando em seus lombos devagar, os acariciando para que ficassem mais quietos. Chamando novamente o coche da carruagem, sem obter resposta, percorreu sua visão ao seu redor. Olhou o topo da carruagem, onde ele deveria estar guiando, porém lá não estava.
  Gritou então mais alto ainda, o nome do coche, enquanto se escorava em um dos cavalos, o mistério fazia seu coração palpitar cada vez mais rápido.
  E a passos lentos, Sascirce caminhou, em direção ao outro lado da carruagem. Sob suas retinas, olhos atentos e pupilas arrebentadas pelo temor. Porém, foi quando deu a volta, que ela o encontrou.
  O terror pasmo da morte atingiu seu rosto feminino, enquanto ao chão, pendia um corpo sem vida de um monge, lançado à fria terra batida e em seu pescoço uma flecha certeira que manchava o marrom do chão, em vermelho sangue.
  Segundos após o choque, paralisada e prestes a ter um ataque nervoso, Sascirce ainda sem proferir palavra alguma, então correu até o corpo inerte ao chão, suas lágrimas apesar de não correrem por ele, corria pelo medo, medo do desconhecido, ou mesmo medo da morte eminente. Nem ela tinha discernimento suficiente para entender a si mesma naquele momento. Um misto de medo, pena, e imaginação... Pois quem quer que seja o responsável pela morte, não parecia que hesitaria em fazer o mesmo a ela.
  Se debruçou ao corpo em prantos, e sobre os retalhos de roupas tentou erguer o inerte corpo ainda quente em vermelho sangue que esvaia de sua jugular. Havia sido uma flecha certeira, estava tão enterrada no pescoço do monge que parecia quase chegar até o outro lado de sua carne, e situada de tal forma que, bem provavelmente que ele nem tenha se dado conta do que havia lhe atingido. Foi um tiro no escuro para o homem. Pois uma flecha silenciosa mataria qualquer um.
  E num novo assobio que cortou o ar novamente... Outra flecha chocou-se ao cadáver, tão abruptamente, que uma única singela gota de sangue, agarrou-se ao rosto da jovem, enquanto enterrou-se novamente ao pescoço do defunto.
  Sascirce virou seus olhos para a direção do lançamento da flecha, foi quando ela o viu. @
  Era um homem de porte médio, com cabelos negros tão compridos e lisos que cobriam parte de seu rosto, trajava negro e levemente amparava um enorme arco prateado. Lentamente ele caminhava em direção a Sascirce, foi quando ela percebeu um outro pequeno detalhe no assassino. Ele possuía orelhas pontudas que saiam de fora a fora de seus negros cabelos.
  Era um elfo.
Perdão pela intrusão.
Era uma voz nítida e decidida.
Eu não queria atrapalhar seu momento de ternura senhorita.
A jovem ergueu-se rapidamente em susto. Enquanto da carruagem, saia outro monge, o qual correu rapidamente, deixando somente para trás seus suspiros de decadência sedentária física, e sem entender coisa alguma, proferiu algumas palavras para si e aproximou-se do corpo morto.
Procuro uma coisa importante senhores...
  Disse o misterioso assassino. Seu gélido olhar os fazia paralizarem... E sem mais proferir palavra alguma, o gordo monge correu mata adentro sozinho.
  Instantaneamente o elfo ergueu seu arco ao céu, e engatilhando mais uma flecha, fez um ângulo alto, e sem sequer olhar onde atirava, a flecha percorreu o céu acima das árvores, e subiu, e subiu, e quando desceu, ela caiu como um raio vindo dos céus. Ao longe pode se ouvir somente um grito abafado.
  Imerso em seu próprio sucesso esboçou um largo sorriso cínico, esperando ter alguém para “aprecia-lo”, mas não havia. Ele havia se descuidado, e neste descuido, a mulher havia sumido.
  Novamente, sorriu para si mesmo. Achou graça da situação... Afinal, também não podia matá-la, se ele a matasse, sobraria quem para interrogar, os cavalos?
  Entrou na mata como uma de suas flechas.
  Como um raio, e a perseguiu.


Capitulo II - “De volta a casa


  O frescor e o silêncio da mata já haviam se entranhado em sua alma dês de sua saída de Édrin.
  Seu corpo e espírito demonstravam total sintonia com tudo ao seu redor. O brilho do sol, as gotas remanescentes do orvalho pendurados em pequeninas verdes folhas, o cantar e refluar dos pássaros...
  Entorpecente e hipnotizante harmonia que consumia todos os mínimos detalhes dos seus visitantes atacavam de forma perfeita quem adentrava nela. De forma muda para quem não sabe ouvir a voz da terra. Os pequenos insetos que pousavam nas flores meio ao mato fechado, aqueles que se acasalavam com os mesmos de suas espécies, aqueles que se enterravam sobre a escura terra. Tudo era vida. E ocorria, na sua forma mais entorpecente para Aledon. Os vividos zunidos e gritos agonizantes de seres que viviam e padeciam, sobre o manto esverdeado de vida... Com o tempo passou despercebido.
  “Meio-Humano”, como o chamavam. Apesar dos rápidos olhos e das pontudas orelhas ele jamais viu e ouviu como um legitimo elfo. Esforçava-se sempre, mantendo seu equilíbrio psicológico de acordo com seus aguçados sentidos. Concentrava-se tanto, que já chegou a pensar que via e ouvia bem melhor que alguns outros elfos de Édrin. Esforçava-se demais em ser quem na verdade ele não era.
  E num mínimo delírio fugaz, floresta adentro ele ouviu um grande desequilíbrio.
  Era um trote humano. Um humano trote feminino, desengonçado e desequilibrado.
  E a seu encalço... Uma figura corria numa movimentação bem mais precisa que a da humana mulher. Era impossível identificar características mais precisas de ambos.
  Correu. Aledon seguiu-os, porém logo perdeu o rastro visual e auditivo de ambos.
  Parou em meio à mata. Observou ambos os lados, enquanto as folhas das árvores desciam sobre si derrubadas pelos ventos mansos da floresta. A luz no topo, nada ajudava. Clareava tudo, mas não lhe mostrava nada. Pensou consigo... Podia estar sendo observado por um dos dois, a qualquer lugar daquela floresta.
  Ouviu novamente ruídos adiante. Estava correndo novamente. Era a humana, bem provavelmente. Seguiu-a.
  Aledon correu o máximo que pode em meio á terra coberta de folhas e arbustos rasteiros... Quando novamente a perdeu. “Raios!”, teria dito Aledon, se realmente estivesse chateado. Ele quase a havia alcançado.
  Silêncio novamente na mata. Passou a andar lentamente, enquanto passava seus olhos a todos os lados, seu capuz ainda lhe cobria a cabeça, e passava agora por enormes árvores. Com seus troncos enormes, e mais grossos que vários homens.
  Essa área da mata era deveras acidentada. Pequenos morros e árvores exageradamente grandes.  .
  Aledon podia ouvir somente o som de seus próprios passos agora ao longo da floresta, passos que arrastavam-se na vegetação rasteira sobre seus pés.
  Quando, um súbito golpe tentou atingi-lo. Mal havia percebido o agressor, mas havia se defendido instintivamente. Era ela. Uma mulher de longos cabelos loiros. Portava uma inusitada arma mortal em suas mãos. Um galho de árvore. E não satisfeita com seu estado ofegante e cansada, tentava novamente acertar Aledon com um enorme pedaço de madeira. Aledon desviou de alguns de seus golpes, mantendo a distancia, enquanto do rosto da moça escorriam rios de suor ofegante e pesado.
  Tomou o pedaço de madeira de sua mão prontamente. Abismada com a habilidade do meio-humano a mulher parou, e de olhos arregalados de medo o observou.
  Cansada, deu alguns passos para trás... O que a fez cair sentada no chão encostada-se a uma árvore. O terror repercutia em seus olhos, e instintivamente pôs-se a gritar... Mesmo com sua voz fraca.
  Aledon nunca havia se deparado com uma mulher humana antes. E havia a identificado correndo devido sua falta de coordenação motora.
  E enquanto ela se matava de gritar, ele a observava intrigado...
  Aproximou-se dela levemente e ela foi acalmando-se. Tentava olhar Aledon nos olhos, porém ele estava quase que totalmente coberto seu rosto.
  Aledon estava agora bem próximo dela... Ela paralisada no chão e Aledon com seu rosto bem de perto agora se observavam olhando fundo em seus olhos. E vendo sua calma ela dali o fitava. E ao mesmo tempo isso a assustava. Ela podia sentir um intenso calafrio no início de sua espinha...
  Aledon abaixou-se próximo a ela, e a deixando olhar em seus olhos perguntou:
Você está bem?
  Nunca havia falado a língua dos humanos com outro humano, muito menos com uma pronuncia tão bem falada. Um sotaque um tanto quanto estranho claro...
  Quando neste momento Aledon virou-se de costas a ela e tornou-se para onde surgiriam dois outros humanos. Haviam chegado correndo até ali, e perplexos observavam os dois tentando imaginar o que ocorria.
   Os humanos os fitaram por alguns segundos antes de proferirem alguma palavra. Parecia que a conclusão era obvia. Uma mulher ao chão, um homem encapuzado em pé. Porém, este homem não lhes parecia com o intuito de fugir nem ao menos de feri-los.
  Aproximaram-se dos dois e ajudaram a dama a se erguer, e sem que quase percebessem, Aledon se dirigia novamente até a mata. E antes que desse mais algum passo...:
Hei você, não vai nos contar o que aconteceu?
  Aledon virou-se e simplesmente respondeu asperamente:
Não.
  Não era sua intenção responder tão arduamente... não foi isso que eles imaginaram. Enquanto um deles, um rapaz bem vestido, de cabelos curtos e traços finos acalentava a moça.
Onde você estava indo?- indagou novamente.
  Perguntou o outro mais russo, aparentando ser um camponês. Porém Aledon nada lhes respondeu. E ali ficou parado fitando-os, enquanto a moça começava a lhes explicar o que havia acontecido...
  Ela lhes contou que vinha numa carruagem com alguns monges de um monastério da região, e não carregavam nada de valor. Quando foram atacados por um Elfo arqueiro, que sozinho matou rapidamente os dois monges, e iria a matar se não tivesse corrido enquanto ele atacava um deles.
  Um elfo aqui em neste pequeno continente de Ágras? Perguntaram-se os rapazes. Pois se acreditava que já não havia mais elfos nas distantes terras de Édrin. E logo um elfo que assassina monges? Nenhum deles, jamais havia visto um elfo com seus próprios olhos antes, temerosos olharam para Aledon:
E onde ele se encaixa?
  Perguntou um dos jovens. A moça respondeu que parecia que nada tinha a ver, e que havia tentado ajuda-la... Enquanto ela tentava acerta-lo com um pedaço de pau.
  O rapaz que estava a acalentar a moça aproximou-se de Aledon, e proferiu:
Sou Mathaios.
  Estendeu-lhe a mão, porém Aledon deu de costas no mesmo instante, e enquanto dirigia-se a algum lugar disse:
Aledon Talguem.
E encaminhando a moça na mesma direção... Mathaios ficou pensativo. E alto pronunciou, “Talguem”... Consigo mesmo ele pensava misteriosamente. Eram siglas diferentes das comuns, não tão diferentes, mas pareciam prefixos um pouco mais complexos que na linguagem humana.
Seu nome... É estrangeiro, ou algo do tipo?
  Aledon sem sequer olhar para trás respondeu caminhando pela mata. E logo também pensou consigo, este homem não era um homem comum. Era culto e bem vestido, provavelmente filho de alguém com muito dinheiro ou importante.
Meu nome é élfico.
  E já na estrada, os três humanos paralisaram com a revelação, assustados e observando Aledon de costas, ambos silenciaram enquanto entreolhavam-se.
Você é um elfo?
  Perguntou Mathaios a Aledon, que ainda de costas, virava seu rosto na direção deles ainda com sua cabeça coberta pôr um capuz. Sascirce afastou-se um pouco e escondeu-se instintivamente atrás de Mathaios. Aledon virou até eles e respondeu:
Não.
  Nenhum deles havia entendido o que ele dissera.
O que quer dizer com isso? -Perguntou o grosso camponês.
  Aledon, perdido com seus olhos em ambas as direções da estrada, demorou alguns segundos para responder, como se pensasse em algo diferente do assunto discutido naquele momento, porém respondeu.
Significa que meu pai é humano.
  Caminhou alguns passos em uma das duas direções lentamente, e seguido pelos outros Aledon continuou.
E minha mãe é uma elfa.
  Ambos humanos perplexos nada responderam a ele, ainda sobre o efeito de sua frieza de espírito élfíco, Aledon os tratava com distância apesar da aproximação momentânea dos humanos. E enquanto entreolhavam-se naquela enorme estrada no meio do nada, feita por terra batida, e coberta em ambos os lados por árvores enormes, Aledon olhando os seus dois horizontes perguntou-lhes:
Para onde vai esta estrada?- Perguntou-lhe apontando em uma das direções.
  Sascirce caminhou alguns passos e passando as mãos sobre seus cabelos, disse-lhe:
Essa estrada leva a Torizonhe.
  Aledon, instantaneamente seguiu pelo lado citado, e antes que pudesse perceber era seguido pelos humanos. Aledon parou em meio à estrada, e os questionou:
Estão me seguindo?
  Não, respondeu Mathaios:
Porém Torizonhe é a única cidade mais próxima daqui.
  Aledon continuou seu caminho, quando foi parado por uma mão em um de seus ombros. Virou-lhe, enquanto Mathaios o fitava com um olhar desconfiado.
Até a algum tempo atrás, eu nunca havia ouvido falar numa união entre um humano e uma elfa, como podemos ter certeza de que não fora você quem atacou a jovem dama?
  Aledon retirou a mão de Mathaios de seu ombro, e virou de costas novamente. Mathaios irado com sua atitude foi contido por Sascirce que segurou seu punho, e lhe disse:
O elfo que me atacou... Tinha um arco enorme... E cabelos compridos.
Isso não significa nada, você, Talguem... Descubra seu rosto!
  Aledon parou meio a estrada... E com uma ira visível até por detrás de seu capuz respondeu:
Talvez eu não esteja ouvindo muito bem, humano...
  Aledon voltou-se até eles, enquanto rígido Mathaios permaneceu a observá-lo. E enquanto Aledon caminhava em sua direção, pôs uma de suas mãos por dentro de suas vestimentas, desamarrou uma espécie de alça, e ergueu duas bainhas curtas... Equipadas com duas espadas curtas. Mathaios espantou-se, enquanto Aledon amarrava suas bainhas em suas costas, e se aproximava ainda mais, deixando ambas as bainhas em ponto de uso e de fácil manuseio das lâminas.
Vê humano?
  Aledon lentamente ergueu ambas as mãos de forma a retirar ambas as espadas simultaneamente, porém antes que ele pudesse terminar de desembainhá-las Sascirce entrou no meio dos dois, enquanto ele terminava de falar:
Uso duas espadas curtas. Não um arco.
  Recolocou abruptamente suas espadas em suas bainhas, e com ambas as mãos abaixou seu capuz, a fim de mostrar seu rosto.
  Mathaios nada disse. Seu cabelo era curto, seus traços eram finos, e suas orelhas, levemente pontudas.
  Como já dito... Seus cabelos eram curtos. Sascirce prontamente respondeu que não era ele o assassino.
  Mathaios... Observou Aledon virar-se de costas novamente e seguir pelo caminho, enquanto erguia uma de suas mãos até seu rosto e pedia desculpas. Aledon nada respondeu.

  Abandonaram lentamente a confortante harmonia que regia o imenso reino da floresta, e aos poucos sem que percebessem os sons, as cores e os seres habitantes mudaram drasticamente. Só um deles percebia tudo com atenção.
  Meio-humano, meio-elfo. Mas o que essa distinção queria dizer afinal? Metade algo completamente diferente de algo? Impossível. Para se estar unido como um só, algo deveria ter algo em comum a “algo”. Mas tais pensamentos ainda não se passavam pela afiada mente de Aledon. Talvez porque esta mente ainda não fosse tão afiada. Talvez este ainda fosse somente mais um tolo no meio de muitos outros tolos, apesar de acreditar no contrário. Naquele fatídico momento, seus sentidos estavam somente concentrados em uma coisa, ou melhor, dizendo, em todas as coisas ao mesmo tempo. Na mata ainda, manteve-se afastado não por grosseria, mas por precaução. Se estivessem sendo seguidos, acredite... Aledon saberia. Eram muitas informações diferentes num mesmo momento. Chegaram então ao seu destino sem que percebesse. Estavam agora meio a um pequeno vilarejo. A movimentação do comercio estava agitado por todos os lados. Muitas pessoas. Muitos humanos! Como procriavam tão depressa esses humanos?
  Via com clareza as diferenças entre as civilizações aparecerem bruscamente. Aledon, meio que perdido no meio daquela bagunça de imagens e informações diferentes, ia se distanciando do grupo que o acolheu na viagem, sem que percebesse.
Aledon!
  Parou. Era seu nome.
Para onde você ira agora? -Perguntou-lhe Mathaios.
  Aledon virou somente o rosto até ele e disse:
Não existem muitos lugares para se ir nesse vilarejo eu acredito. - Respondeu Aledon.
Você não parece muito familiarizado com... Tudo isso ao redor... Eu devo ficar alguns dias na cidade, levarei a moça em sua residência, e como você não conhece muito bem as coisas por aí, venha me procurar se precisar, está certo?
  Aledon caminhava ainda desconfortavelmente diante daquela bagunça, com quase todo seu rosto coberto por seu capuz evitava que olhassem diretamente para seus olhos... E virando-se disse a Mathaios, que provavelmente dizia aquilo tentando recompensa-lo pelo mal entendido da estrada:
Isso não irá acontecer.
  Seguiu um caminho aleatório e não mais olhou para nenhum deles. Era como se não admitisse que percebessem sua fraqueza. Aquele parecia não ser o seu lugar. Pelo menos parte de si, não pertencia. Mas durante quanto tempo?


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ame o seu medo.

  

Tinha já algum tempo que eu gostaria de escrever um artigo falando sobre algum tema específico, e nada mais apropriado do que começar falando de algo bem contraditório.
Na verdade não seria esta a palavra que eu usaria, mas enfim. E o que eu tenho para dizer não é um sermão.

E também não é uma opinião crítica, sobre a conduta das pessoas. Não me cabe julgar o que cada um condiz com sua maneira de viver. Demorei muito tempo de auto-reflexão até chegar nessa linha de raciocínio, e não sozinho. Li muitos outros artigos sobre muitos outros temas, que de nada tinham em comum, e sem nem imaginar que chegaria nessa conclusão. E aqui estou eu falando pública mente num blog, minha mais nova forma de expressão.

Na fisiologia, o medo é uma resposta a um estímulo desconhecido captado pelo cérebro, é um emaranhando de hormônios e respostas nervosas agindo de uma só vez só para manter o babaca assustado vivo.
Os resultados todos nós sabemos, o coração bate mais rápido, a adrenalina come solta pra suas artérias mandarem sangue rápido para os tecidos e deixar seu corpo a ponto de bala pra agir.

Tudo desencadeado pelo desconhecido, o instinto do medo de algo que você não sabe como se proteger... tá tá, deixando as respostas hormônais de lado, o que o organismo quer dizer com isso é, 'tem algo de muito errado', e em situação de emergência ele te prepara para a auto-defesa, 'faça alguma coisa!'. E isso ocorre muito rápido! Com simples pensamentos.

Muitas coisas desencadeiam o medo. Seja ele um simples susto de um amigo engraçadinho, como uma situação de real perigo com supostos feridos.



O medo. Se você o desconhece costuma ser bem pior, quase incontrolável. E quando você o conhece por instinto você o evita. Sim você desvia. O medo grava na sua cabeça um mecanismo de defesa, sem pedir permissão e quando você se dá por conta está encarcerado, sem perceber. Evita.

Não podemos confundir as pessoas que praticam esportes radicais. A adrenalina deles é desencadeada por medo também, só que os malucos são meio que viciados naquilo.

O medo que eu queria propor, era um medo mais sutil. Um medo intrínseco com nossa personalidade, um medo comum somente a nós mesmos.Coisas que no andar da sua vida, você absorveu e com certa porcentagem de culpa (sim, culpa sim!), se acorrentou a elas.

Ame o seu medo. Linda frase, durante dias eu refleti sobre ela, não me lembro se li ela nesse artigo http://papodehomem.com.br/clube-da-luta-voce-nao-e-especial/ estou com preguiça de procurar ela também para não perder o gancho do texto, mas esse link acima também fala de uma outra forma o que eu estou prestes a dizer.


Lendo tudo o que eu já escrevi, você pode estar pensando, qual seria então a solução? parar de sentir medo? Resistir a seus impulsos e não sentir nada? Muito pelo contrário, nossas emoções inclusive o medo é o que nos torna humanos, é o que nos torna únicos, a maneira como nos lidamos como mundo ao nosso redor pelas emoções é o que nos mostra como nós somos, e o que nós somos.

O medo foi feito para ser superado. Ele foi feito para ser sentido. Sentido, absorvido e superado. Nós somos produto do nosso medo. O medo tem poder de transformar as pessoas. O que você se tornará já depende de você. Produtivo ou negativo, o medo reje nossa conduta.

O grande problema é que a maioria das pessoas tendem a fugir de seus medos íntimos, se deixando levar, ignorando ou esquecendo. Claro, é mais fácil esquecer. Esquecer, fugir, ou deixar acontecer. E isso é a pior coisa que alguém poderia fazer.

Ame o seu medo! Trate-o como uma benção! Ele veio para te mudar, para te transformar. O medo é um passo na evolução da mente. Você precisa sentir medo, e não fugir dele. A todo momento passamos por situações diferentes, e quando alguma situação nos força a sentir medo, seu raciocínio recorre a sua memória cognitiva (memória aprendida), em busca de uma solução plausível para o acontecido. Não entendeu?

Eu explico. Quando você supera uma situação de risco, seu cérebro grava no seu disco rígido a fim de usar novamente essa informação caso aconteça novamente. Quase como um computador mesmo, ele coresponde uma resposta parecida ao novo estímulo de medo.

Quando você precisa enfrentar alguma situação nova e desesperadora, mesmo quando você não estava preparado para ela, primeiro você passa pela fase de medo, e seu nível de medo diz o quão preparado você está, para resolver o acontecido.

Traduzindo mais simples ainda. Quanto mais medo você já superou, mais forte você é.
Mais preparado você se torna.
Sei que não é exatamente uma apologia, mas um exemplo de HQ mais aprópriado é o Lanterna Verde. Certo, nem todos conhecem HQs, muito menos o Lanterna verde.

Mas para utilizar-se de seu poder ele precisa de força de vontade. E seus mortais inimigos utilizam a luz amarela, que ao contrário da luz verde que são os que possuem poder de superar grande medo, a lanterna amarela, instiga grande medo.

Achava ele que precisava bloquear esse sentimento de medo de sua cabeça, mas ele estava errado. Seu poder era bem maior quando ele sentia medo e então o superava.


O grande Lanterna Verde

Então baseado nisso tudo, na próxima vez que seu professor de faculdade pedir para se levantar e ler sua resposta a todos da turma. O faça.

Sentir medo e supera-lo. É praticamente um lema de vida, acrescentado de recompensas. Afinal, medo envolve tudo. Quantas vezes não perdemos a oportunidade de falar com aquela gata que passa por você na rua todos os dias. Quantas vezes perdemos uma oferta de emprego por não termos nos destacado mais e nos expressado melhor na frente do chefe.

E pensar que o medo nos desperta para a vida. Nos faz pensar.

O lema do marketing atual é Ser Notável. Termo que não é tão dificil de traduzir assim. Você precisa ser diferente, e ao mesmo tempo melhor. Fazer algo incomum a todos, e acredite, nem todos superam seus medos. Seja eles coisas bobas que passam desapercebidas, como coisas grandes com grandes conseqüências.

Nossa vida social na minha opinião é como a bolsa de valores. Compramos ações o tempo todo.
Seja conquistando a amizade de pessoas, respeito, ou um casamento... Já superar nossos conflitos pessoais seria o crescimento e lucro da nossa empresa, no caso, nós mesmos. E é isso que importa, no bruto quem trabalha mesmo somos nós. O que não exclui nossa socialização com as pessoas ao nosso redor. Que é o que movimenta nossa fortuna.

Baseado niiiisso tudo acima prescrito, comecei a mudar pequenos detalhes na minha vida, e mesmo que agora neste exato momento eu não saiba em que isso irá me beneficiar, tenho certeza que o primeiro passo eu ja tenha dado. E aos poucos o gosto de adrenalina vai ficando na boca, até um dia se tornar comum, e ser preciso ir atrás de outros medos, outros desafios.

E se mesmo assim você não tenha concordado com tudo que eu disse sobre se aproximar dos seus medos e se superar, não se preocupe. Seu medo irá até você.


=D

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Algozes Interiores

Capítulos posteriores serão postados com o passar do tempo no mesmo post. Atente-se para o número do capítulo.



Algozes interiores


Parte 1 - Sieg Frost, o guerreiro do inferno-.

        ...Eu não sabia que o toque entre duas espadas podia ser tão esplendoroso...

   
       O lugar estava realmente cheio, já era noite, e as pessoas estavam muito animadas, andavam sem pressa pelo lugar apertado, quase não se escutava minha própria voz, devido aos gritos ensurdecedores das outras pessoas.
   Tive de me acostumar à bagunça, porque realmente estava cheio, não possuía autonomia em meus próprios passos, estava sendo levado por uma imensa correnteza fruto de uma enchente até o final do corredor.
    A luz ferira meus olhos de tão brilhante e ofuscante que estava o calor estava mais ameno, por causa da noite... O lugar era realmente bonito, ao centro, a arena, bela por si só chamava muita a atenção. As arquibancadas apesar de desconfortáveis eram iluminadas de forma magnífica, deixando um clima calmo sob nós, mantendo a coloração azul. Desnorteado com tantos detalhes sentei-me nas ultimas fileiras.
     Foi quando uma mulher parcialmente encapuzada entrara nas arquibancadas próximas a nós.
     Ela roubara a cena por alguns minutos, chamando a atenção de todos... Cabelos loiros ao vento, que passavam pela lateral de seu capuz marrom escuro, não podíamos observar seu rosto inteiramente, mas víamos seus lábios carnudos em vermelho, e sua bela pele dourada pelo sol... Enquanto o capote lhe cobria o resto do corpo.
    As pessoas iam se calando conforme ela ia passando, o vento leve se encarregava de balançar seus fios loiros e seu capote marrom. Todos já sentados a observavam passar.Ela de alguma forma queria ocultar seu corpo para não chamar atenção, mas mesmo assim não adiantou muito.
    Como fruto do silêncio que se seguiu ouviu-se:
-Senhoras e senhores... A partir de agora os portões do “Centro do Universo” se abrem para saudar um visitante... Um guerreiro que quer mostrar como as chamas do inferno queimam...
    As pessoas conversam baixo fazendo comentários sobre o narrador nas caixas de som, enquanto eu as observava.
 -De um lado da arena... Sieg Frost.
   Daqui não dava para ver muito bem, então ligou-se acima de nós imensos telões, que nos quatro lados da arena exibiam imagens mais detalhadas da arena e de quem estava sobre ela.
   Ele tinha cabelos curtos e pretos, utilizava duas pequenas ombreiras do lado direito de seus ombros, sua espada possuía uma cabeça de Dragão na ponta, a lâmina era tão grande, que quase se encostava ao chão junto à bainha, e possuía uma ponta fina a qual engrossava e afinava novamente até a mesma espessura do seu cabo.
    Novamente comentários bem baixos se seguiam... Parecia que ninguém conhecia este guerreiro... Era estranho, pois só guerreiros famosos batalham aqui...
-E do outro lado... Vash.
    Este era bem conhecido tinha cabelos louros e compridos, era alto e forte, seus braços eram bem grandes. E carregava consigo um imenso machado de duas lâminas impressionante.
     Agora, gritos se seguiram, as pessoas torciam pelo cara, parecia ser bastante popular...
-Que a chave do universo esteja com algum desses valorosos guerreiros... Viva a Cidade do Timbre!!
    As pessoas gritavam como loucas... Ai meus ouvidos!... O barulho ecoava bastante... Enquanto o clima azul contagiava o local.
 -Que comece a luta!
      Repentinamente a platéia explode novamente com gritos ensurdecedores. Sieg Frost caminha tranqüilamente de cabeça baixa até o centro, enquanto Vash sorri e carrega seu machado.
     Mas quando Sieg levanta sua cabeça e abre seus olhos, Vash parece desabar mentalmente, ele paralisa e empunha seu machado instintivamente.
     As pessoas os observam, nos telões e podemos ver seu rosto de raiva, quando ele tenta um ataque frontal com seu machado, mas Sieg desvia facilmente, parece que ele desliza sob o vento indo para o lado... E com grande agilidade retira a espada da bainha, mas não fica em modo de ataque, e sorri... Levando a lâmina ao chão.
      As pessoas observam abismadas, enquanto Vash tenta outro golpe de machado, e outro e outro, mas são simplesmente desviados com passos para os lados, sem que ele dobre sua coluna com dificuldade. Vash ainda tenta um golpe lateral, mas é em vão.
     Ele pasma olha Sieg Frost, e assim como os fãs da platéia ele deve estar pensando, “de onde este cara veio?”.
    É quando Sieg estala seu pescoço para os dois lados e corre em direção de Vash. As pessoas prestam atenção com seus olhos arregalados. Uma maneira de segurar a espada incrível, ele corre em direção a Vash que fica estático, pula e lhe desfere um golpe de espada no imenso homem... Vash não se move parece que nada o atingiu, nem vi o golpe de espada acertá-lo... Mas é quando uma linha vermelha se abre no pescoço de Vash e de sua boca desce sangue enquanto seus olhos permanecem abertos, explode no seu pescoço alguma artéria... Espirrando sangue para todo lado, o corpo de Vash treme devagar, enquanto seus olhos se arregalam e mais sangue desce da boca e do pescoço... Ele tenta elevar suas mãos até o ferimento, mas ele cai antes de fazê-lo.
    Debaixo de seu corpo fica uma imensa poça de sangue... “... seus olhos nunca se fecharam...”.
     As pessoas se levantam e vêem seu herói morrer em segundos, ele nem tremeu, mais foi rápido... Eu me levanto e observo o Sieg Frost, que disse que mostraria o fogo do inferno a essas pessoas... Só penso de que outra forma o fará...
     Os espectadores comentam coisas do tipo, “ce viu isso?”, “Ele não podia tê-lo matado...”, mas elas só falam isso.
    ...Sem palavras. Em segundos ele foi reduzido à comida de vermes. Sieg Frost novamente demonstra habilidade somente em guardar sua espada na bainha. Depois de fixar seu olhar no corpo ao chão ele olha para a platéia que fica sem reação.
     Ele centraliza sua visão na mulher encapuzada que entrara... E diz virando-se para os outros:
-EU SEI QUE VOCÊ ME OBSERVA!!
     Sua voz era jovem, parecia ter a minha idade, uns dezesseis a dezessete anos...
     A mulher caminha até a borda das arquibancadas, que dá visão a arena e diz:
-Nada discreto...
      Ela então estala os dedos secamente e minha cabeça começa a formigar...

           



                             ...
                                          ...
      Hãm?Estranho... Nada vem em minha cabeça... Minha mente se esvazia. Sinto-a se esvair com meus pensamentos.
      Tento me lembrar em que eu estava pensando, e olho para a arena, e a luta? Será que eu dormi?Que merda queria ver quem a venceu... As pessoas já estão saindo, olho para a arena e não vejo ninguém, e nem vestígio de luta... vou com eles para sair do estádio, puxo o ombro de um rapaz e pergunto, quem venceu... Ele pensou bastante antes de responder... Mas disse que fora Sieg Frost... Penso então, nossa como o Vash era enorme.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Introdução de Algozes Interiores

Então senhores, com um leve delay, estou postando agora a introdução de Algozes Interiores, livro 1 A lenda de Seiphir.

Em breve a história completa.



              Algoz Interior



    O mundo era regido pelos sábios... Nome dado a todo aquele que controlava a magia viva.
    Os grandes controladores de magia viva usavam seus dons para principalmente proteger a humanidade das trevas do próprio homem.
    O povo da terra viveu milhões de anos na paz e tranqüilidade, que era mantida pelo poder dos sábios. As guerras quase nunca começavam. Era raro um homem desobedecer às palavras de sabedoria de um sábio. E em prol do mundo assim foi... E os anos se passaram.
    Com o passar das eras, a proteção do mundo pelos controladores da magia foi sendo desnecessária, de tão presentes às pessoas foram esquecendo sua importância, e com o tempo... Desaparecendo.
    A acelerada evolução humana contribuiu para isso. O desenvolvimento tecnológico humano fez com que quase tudo aquilo ensinado pelos sábios antigos fosse esquecido.
    Enquanto as essências elementais controladas pelos sábios, somente ocultavam-se, esperando a hora certa de ressurgir...
    E após a extinção dos sábios... Novas eras surgiram. Como A Era das Trevas. Uma era de traições, de guerras, de carnificinas e de corrupções. Onde banhos de sangue eram travados por espadas, que extraiam das pessoas o sentimento de cólera que eles jamais haviam conhecido antes... Cada vez mais poderosas, as espadas cortavam o ar e arrancavam a cada grito de sofrimento um motivo para tanta crueldade... Um motivo insano, mostrando a verdadeira face da raça humana.
    A corrida tecnológica ocorria cada vez mais rápida... Procurando maneiras mais avançada de desenvolver seus armamentos e seu poder de batalha.
    E após muitos anos de lutas e guerras, o bom senso os fez suspender todas as hostilidades sem sentido... E agora corriam não só atrás da paz, mas atrás de suas próprias vidas...
    Através de estudos, descobriu-se que com mais cem anos de guerra intensa como aquela, o mundo acabaria.
     O gás da combustão libertado por maquinas matava o oxigênio, os oceanos transbordariam com a exploração de recursos e o aquecimento do planeta nos territórios congelados, e as florestas acordariam as bestas adormecidas, junto com os temíveis Dragões Vermelhos dando cabo a toda espécie humana.
     A paz foi estabelecida e conservada... Mas uma humanidade que já havia experimentado o gosto da corrupção e da ganância deu inicio a outros confrontos pelo domínio completo... E total eliminação de seus rivais.
     Nesse ambiente sangrento, um sentimento de raiva e opressão fez surgir dentro das pessoas uma angustia aliada à espera por um salvador, alguém que emergisse como um soldado lendário...
     Neste tempo da chamada “Nova Guerra” (devido ao desenvolvimento tecnológico), heróis amargurados surgiam abençoados como nunca antes... Pois a esperança que brotava em seus corações, vinha mais poderosa do que nunca... E suas espadas emergiam com a essência da fúria de seu portador que libertava assim os poderes elementais inconscientemente...
     A manipulação dessas essências era um mistério sem solução e sem regras... Considerados por algumas pessoas, “dádivas divinas”.
     Os exércitos podiam ser poderosos... Mas nunca conteriam a fé e o poder da natureza reunida no fio de uma espada e um coração cheio de bravura.   
    Como um soldado lendário... Ou somente mais um sábio... As guerras tiveram novamente um fim e tudo retornava o seu lugar...  
    Após quase 150 anos, a terra acalmava seu ardor e se recuperava cada vez mais rápido, a paz reinava novamente... Com uma recuperação milagrosa do planeta, vinha também a esperança por uma nova era, que seja abençoada por Deus e protegida novamente pelos heróis lendários... Incumbidos agora com “o poder da vida...”, suas trevas davam lugar aos sentimentos humanos novamente... Paixão, confiança, amizade, perseverança, liberdade e esperança, que provaram ainda não ter morrido dentro de seus corações... E que agora podiam ajudá-los a controlarem o seu próprio... “Algoz Interior”.

domingo, 19 de setembro de 2010

O despertar (poesia)

    Já tinha alguns dias que eu havia prometido atualizar o blog com uma das minhas histórias prontas, mas acabei demorando demais corrigindo antes da publicação, (corrigir e recorrigir...).
   Quando me lembrei de uma das minhas poesias mais recentes, tem tempos que eu não escrevo,
mas desta eu me lembro o momento exato de inspiração.


   Havia vezes que eu decidia escrever algo legal partindo de uma idéia legal, mas naquele dia, eu simplesmente peguei a caneta e o papel. E ela se escreveu sozinha praticamente.


    Estava eu sozinho na sala de estar da casa dos meus pais, beirando às 12 da noite. Distante ouvi um rúido diferente no ar, o cheiro da terra molhada invadiu o ambiente, e aquele vento gelado e refrescante tocou as frestas da porta a fazendo fechar. A chuva caiu rápido e forte, típica chuva de lugares quentes no meio da noite, a fraca iluminação pelo lado de fora, e as luzes apagadas dentro, um filme tinha acabado de acabar.




Escrevi.


http://media.photobucket.com/image/rain/mackenziecalle/rain.jpg?o=70




'O despertar'

Roucos tocam a chuva da madrugada.
Os pingos que dos céus descem, de lá não nos trazem nada.
Agoniza os versos meus. Mudos, distantes dos olhos teus. Luz insípida, imperecível ao papel
em cada sombra que dela brota, torna delas amarrotas...

Que brilho era esse que se tornavam reitores,
amargo e puro eram, seus itinerantes. Luz clara de luar reconhecível aos amores. E em cada esquina à sombra dela brota. E torna delas almas tortas...

Que brilhar era esse?
Tolerantes aos olhos meus, luz cor de mel, impuro ao cativar, luz clara de luar reconhecível aos amores, um em cada duas cores,
onde delas sombras brotam, tornando elas flores mortas...

e notas; as quais escutam as almas tortas...

Quê brilho era esse que do céu se escondia?
O caminho que percorre já não segue a minha...
Irreconhecível o pingo do bruto negro atravessa, azul reluzente, transparente.
Quando minha escrita termina,

Quando parte do céu... Recomeça.

E se algum dia dela vier, o brilho do despertar...
continua... então, as almas tortas em sua luz...

se salvar.

http://photobucket.com/images/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Prólogo de A Crônica de Átala


Senhores, devido a reclamações posteriores, decido dar uma introdução um pouco mais palpável a vocês. Afinal a prática funciona melhor que a teórica em alguns casos.
E lendo por vocês mesmos, vocês agora ficam aptos a tirarem suas próprias conclusões da narrativa. Só um gostinho do que vêm a seguir.

Daniel Liu


Olhos Eternos RPG: A Crônica de Átala


“Há muito tempo rumei ao seu encontro... porém, aqui e agora tenho a certeza de que jamais nos encontraremos novamente”.

  Aledon Talguem.



Prólogo


            “Tudo o que eu tive até hoje foi um nome. E desde o inicio eu soube que não fora o suficiente.
O meu pai há muito tempo atrás, ajudou a derrotar o mais poderoso homem de toda Irígnia.
Meu avô retirou do peito deste homem um demônio, de onde ele retirava todo seu poder.
Então aqueles que seriam minha família conseguiram trancá-lo em um lugar de localização desconhecida.
E como tudo tem um preço... Os meus pais não retornaram desta cruzada. E este preço é o que eu pago até hoje.
 Meu nome é Aledon Talguem. 'O' filho de Alathor Vermangoes e Níneri Talguem.
Sou fruto de uma aliança lendária que há milênios não ocorria. Sou um meio-humano.
Morei toda minha vida com o povo elfo, que às vezes me tratava com desprezo, às vezes com cordialidade excessiva e às vezes faziam menções... Como se minha impaciência em relação às respostas fosse à chave de tudo.
Quando me despedi de Èdrin não me trataram com surpresa, muito menos com pesar... Era como se isso fosse meu destino.
            Quase que instantaneamente à minha decisão, flashes invadiram minha mente, revelando alguns nomes e imagens... E assim como minha progenitora, eu tinha visões sobre o futuro. Era um dom, que chamavam de oráculo.
Parti de Èdrin sem saber o que encontrar. O preço que eu estava a pagar era caro demais, e no fundo eu sempre soube que lá não era o meu lugar... No fundo, bem lá no fundo.
E sem sequer olhar uma vez para trás...
Parti.
Parti carregando uma habilidade divina. Via coisas que aconteceriam logo após, num futuro não tão distante. Eram iluminações que percorriam minha cabeça, deixando para trás o futuro.
            E lá estava ele. O nome Àtala. Cravado como uma ferradura na minha cabeça.
Eu tinha de certa forma medo do mundo. Admito. Por isso parti com roupas que me recobrissem por inteiro, e percorrendo tais florestas fechadas de Èdrin, tentava imaginar o que me aguardava lá fora.
Reinos humanos, reinos visitados pelo meu pai Alathor, antes de partir para a grande batalha. Mais e mais eu pensava nestes reinos humanos... E mais e mais, reconhecia a grandeza deste caminho, e a grandeza do meu pai.
            Era natural o filho seguir os passos do pai... E a cada um que eu dava recordava-me parte das historias dele, histórias passadas a mim durante estes anos.
 E isso me dava uma intensa sensação estranha. Sentia que ele... O meu pai é como se ele estivesse me esperando em algum lugar.
 E no meio de tais florestas, sabia agora o que procurar. Recordo-me do 'preço' da enorme batalha. 'Seus pais partiram'. Meus pais me deixaram para trás. Fui abandonado.
 Não sei o motivo. Mas também não me interessa. Quero encontrar nem que seja a pedra da lápide do túmulo de meu pai.
Terei então a real certeza de que, mais do que nunca, haviam me abandonado e que desta vez seria para sempre...
 Demorei dez dias inteiros de caminhada para sair destas densas florestas.
 Começava a minha história”.


Capitulo I - “O berço das trevas



O lento trote dos cavalos parecia lhe ninar. Contínuo e nauseante. Distantes e constantes eram os passos dos eqüinos que guiavam a carruagem. Lentos à brisa sua branca crina se entregava e cavalgava sobre o vento assim como os passos de seus donos. Olhando desatentos, seguindo ordens de quem os guiava, caminhavam de forma rígida sobre o chão de terra batida da estreita estrada.    
Cabelos loiros pendurados na janela da carruagem, e seus fundos olhos eram a face do seu cansaço. Mar de cristalinas águas, doces sonhos carregavam em suas águas que lubrificavam seu olhar. Por fora a fadiga de exaustão, de uma vida sedentária de mulher das terras medievais. Cabelos ressecados pelo clima árido pendiam e balançavam pelos solavancos de seus fieis servos eqüinos. O monge que ia em sua rústica carruagem, praticamente hibernava ao seu lado. O sonolento ar que impregnava o interior da carruagem a destruía por fora, sua vitalidade jovem de mulher. O frescor da mata virgem tocava-lhe o rosto e refrescava seu espírito devagar. Devagar, pois era de se esperar de uma bela manhã de sol. Pensava consigo que, se não fosse essa viagem, tudo seria perfeito.
Sascirce ainda não havia se acostumado àquelas viagens de longa distancia que fazia a mando de seu pai. Longas e nauseantes pensava e a paciência, que ela não possuía, começava a aborrecer-lhe. E imersa em seu próprio descontentamento, viu um vulto na estrada.
Rápido. Foi seu único pensamento sobre o fato. Se é que se pode dizer que pensou muito, ao colocar sua cabeça para fora da carruagem para ver o que sucedia. Nada além de árvores pôde enxergar. O clima pesado da umidade dentro da mata parecia deixar tudo ao seu redor ainda mais lento e vagaroso, cansativo e confuso.
Voltou-se.
            Quando abruptamente a carruagem parou. Os cavalos relinchavam adiante dela enquanto ela gritava o nome do coche, com sua voz feminina e leve. Gritou “Nabou”, mas não havia resposta. Um misto de temor e preocupação com a vida de seu subordinado a fez saltar diante da porta da carruagem, para então ir atrás do responsável pela turbulência em sua viagem. Deixando então para trás a carruagem, ela saltou.
O som da mata a perturbava. O “silêncio” era o que na verdade a matava. Lentamente se aproximou dos cavalos tocando em seus lombos devagar, os acariciando para que ficassem mais quietos. Chamando novamente o coche da carruagem, sem obter resposta, percorreu sua visão ao seu redor. Olhou o topo da carruagem, onde ele deveria estar guiando, porém lá não estava.
Gritou então mais alto ainda o nome do coche. Enquanto se escorava em um dos cavalos, o mistério fazia seu coração palpitar cada vez mais rápido.
E a passos lentos Sascirce caminhou em direção ao outro lado da carruagem. Sob suas retinas, olhos atentos e pupilas arrebentadas pelo temor. Porém, foi quando deu a volta, que ela o encontrou.
O terror da morte atingiu seu pasmo rosto feminino, enquanto ao chão pendia um corpo sem vida de um monge, lançado à fria terra batida. E em seu pescoço, uma flecha certeira que manchava o marrom do chão, em vermelho sangue. Segundos após o choque, paralisada e prestes a ter um ataque nervoso, Sascirce ainda sem proferir palavra alguma correu então até o corpo inerte ao chão. Suas lágrimas, apesar de não correrem por ele, corriam pelo medo. Medo do desconhecido, ou mesmo medo da morte eminente. Nem ela tinha discernimento suficiente para entender a si mesma naquele momento. Um misto de medo, pena, e imaginação... Pois quem quer que seja o responsável pela morte, não parecia que hesitaria em fazer o mesmo a ela.
Debruçou-se junto ao corpo em prantos. E, sobre os retalhos de roupas, tentou erguer o inerte corpo ainda quente em vermelho sangue que se esvaia de sua jugular. Havia sido uma flecha certeira. Estava tão enterrada no pescoço do monge, que parecia quase chegar até o outro lado de sua carne, e, situada de tal forma, que bem provavelmente  ele nem tenha se dado conta do que havia lhe atingido. Foi um tiro no escuro para o homem. Pois uma flecha silenciosa mataria qualquer um. E num novo assobio que cortou o ar mais uma vez... Outra flecha se chocou ao cadáver tão abruptamente, que uma única singela gota de sangue agarrou-se ao rosto da jovem, enquanto a flecha se enterrava no pescoço do defunto.
Sascirce virou seus olhos para a direção do lançamento da flecha. Foi quando ela o viu. Era um homem de porte médio, com cabelos negros tão compridos e lisos que cobriam parte de seu rosto, trajava negro e amparava um enorme arco prateado. Lentamente ele caminhava em direção a Sascirce. Foi quando ela percebeu outro pequeno detalhe no assassino. Ele possuía orelhas pontudas que saiam de fora a fora de seus negros cabelos.
            Era um elfo.
Perdão pela intrusão.
Era uma voz nítida e decidida.
Eu não queria atrapalhar seu momento de ternura senhorita.
A jovem ergueu-se rapidamente em susto. Enquanto da carruagem saia outro monge, o qual correu rapidamente deixando somente para trás seus suspiros de decadência física sedentária, e, sem entender coisa alguma, proferiu algumas palavras para si e aproximou-se do corpo morto.
Procuro uma coisa importante senhores...
Disse o misterioso assassino. Seu gélido olhar os fazia paralizarem... E sem mais proferir palavra alguma, o gordo monge correu mata adentro sozinho.
Instantaneamente o elfo ergueu seu arco ao céu e, engatilhando mais uma flecha, fez um ângulo alto e sem sequer olhar onde atirava, fez com que a flecha percorresse o céu acima das árvores, e subiu, e subiu, e quando desceu, ela caiu como um raio vindo dos céus. Ao longe pode se ouvir somente um grito abafado.
Imerso no êxtase de seu próprio sucesso, esboçou um largo sorriso cínico, esperando ter alguém para “apreciá-lo”. Mas não havia. Ele havia se descuidado, e neste descuido a mulher havia sumido.
Novamente sorriu para si mesmo. Achou graça da situação... Afinal, também não podia matá-la. Se ele a matasse, sobraria quem para interrogar? Os cavalos?
Entrou na mata como uma de suas flechas.
  Como um raio, ele a perseguiu.




quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Olhar Eterno - Início










Primeiro dia do Blog, que fique nas páginas da história para as próximas gerações!




Gerações daqueles que prestigiaram com toda a certeza os fatos aqui futuramente descritos.




Os objectivos são claros, divulgação. Claro, em um âmbito um pouco maior. Em combate moral ao privilégio dos poucos que desfrutaram do que será apresentado ao público a seguir.






Este blog tem o principal intuito de apresentar um novo universo conhecido somente por poucas pessoas. Por volta de 20 pessoas mais ou menos. Potencial existe e precisa ser explorado. Eis em suma, do que se trata o blog.

Anos atrás surgem ideias emergentes de um mundo já bastante conhecido (mal interpretado) entre as pessoas, o rpg (Roling Playng Game), porém antes mesmo de eu conhecer a respeito, ainda na infância criei um sistema simples baseado no jogo Pokemon Yellow de GBA de combate de bonecos.

Isso mesmo bonecos. Na minha e na de vários outros "amiguinhos" brincávamos de bonecos uns nas casas dos outros. Fato. 



Crianças são fascinadas por batalhas (Ishidoro do mangá Berserk) 






Éramos felizes até o momento em que tudo ficava um tanto quanto feroz e violento entre ás pessoas plastificadas. Os combates cada vez mais sangrentos. A adrenalina a cada dia mais alterada, até as discordâncias nos levar ás brigas. Justo. Alias, muito injusto, não havia uma forma mais eficaz do que a argumentativa para demonstrar que um ou outro boneco havia ganhado a batalha.











Surgiu o primeiro esboço do que mais tarde seria um jogo. Usei um sistema de níveis, entre os bonecos, poderes, e habilidades, e tudo isso era anotado em folhas controladas por mim. Instalou-se a paz entre as aventuras, e a cada dia mais animo para brincar. Acordávamos cedo para irmos às casas dos outros para aumentar nossos níveis e ficarmos mais fortes. 






O tempo passou, os bonecos perderam a graça, pelo menos a brincadeira de bonecos, não os bonecos em si. Mais tempo se passou.

















Mais tarde toda aquela criatividade acumulada na infância gerou certo impulso por assim dizer. E já na escola as histórias começaram a chamar atenção dos professores de literatura (não os de gramática). Então eu descobri um outro lado da criatividade, contemporâneo a isso, havia feito outra descoberta ainda mais impressionante.











Eu havia sido um mestre na infância. Um mestre de rpg. Isso mesmo! Nas nossas brincadeiras de bonecos eu era o responsável em anotar os níveis, mover as experiências e controlar a maioria dos personagens da história, logo era somente eu que os controlava os outros personagens que não possuíam ninguém para controla-los.







Sempre fui péssimo em gramática e analise sintática, mas literatura começou a fazer parte de mim. O que me fez melhorar bastante (mas ainda sou ruim em gramática). Quanto mais escrevia, mais dava vontade de escrever. Então comecei a ler mais sobre o rpg. Me surpreendi com as ideias de todos eles, e baseado nisso, tive uma ideia. Chamei meus amigos, agora um pouco maiores para jogar.

Criei um sistema novo, sem ler nenhum livro de rpg já criado (no começo sim), baseado no meu sistema antigo e mestrei.
Em pouco tempo eram mais de 10 pessoas jogando onde eu morava. Havia feito dois grupos, porém logo anexei mais um grupo de 5 pessoas, com amigos de uma faixa etária mais equilibrada.



Nunca se sabe até onde a imaginação pode te levar. (Imagem extraída da internet)

Eram 15 pessoas jogando nos nossos tempos vagos. Foi ficando difícil de organizar tempo livre. E o tempo que eu jogava, os grupos brigavam entre si para jogar. Eram bons tempos, mas todos crescem uma hora.




Minhas obrigações começaram a tomar todo o meu tempo, mal podia jogar nos finais de semana, dissipei dois grupos e agreguei alguns em um grupo só com o tempo que me sobrava. E depois fiquei sem tempo para mestrar.



Nesse meio tempo surgiu minha primeira literatura manuscrita redigida a mando de um professor de português (não sei se posso cita-lo), o nome era "Algozes Interiores".
Minha criatividade estava começando a tomar forma em outro cunho. Não só no rpg como nas histórias um hobby me ajudou bastante. O desenho.

A primeira história agente nunca esquece, imprimi algumas cópias e distribui a meus amigos e familiares (Um deles com desenhos bem trabalhados, que acabou desaparecendo). Ela havia sido postada num blog de um amigo meu junto com as histórias dele e de outros amigos. Mas saiu do ar, era chamado de a Cúpula Ancestral.

Logo tive de me mudar para uma cidade onde eu cursaria faculdade, nesse meio tempo iniciei outros projetos (que ainda não terminei) literários. Algozes Interiores- Os Ventos do Destino, AKY- a gota da vida, O Olho dos Mortos e logo em seguida A cronica de Átala.

Este último projecto que estou recomeçando a escrever foi baseado no meu último grupo de rpg que eu tive. No meio tempo do curso pré vestibular em outra cidade conheci outras pessoas diferentes e com o tempo (não demorou muito), descobrimos esse assunto em comum. E eu voltei a mestrar pela última vez.



Não, não é uma imagem da Crônica, mas ambas se passam na era medieval.(fonte: Superdownloads.com)






A maturidade dos participantes deixou a história simplesmente unica. Com o tempo alguns deles foram se distanciando devida às circunstâncias porém, um deles ficou até o final da vida do seu personagem, e acabou se tornando o personagem principal da minha narrativa. O universo de rpg que eu arquitectei tomou uma forma quase (por assim dizer) real. Ela tomou vida, e caminhou sozinha. Literalmente.













Não havia mais nada que eu pudesse fazer para controla-la naquele momento. Todos os detalhes da história e do universo criado ficou tão detalhado, tão particular, que era como se o factor mestre já não mais existisse.












Irígnia existe (nome do mundo vasto e imaginário dos olhos eternos rpg). Isso já é fato. Quando eu mestrava eu percebia que alguns fatos, eventos e atitudes já não eram mais controlado por minha pessoa, eu simplesmente narrava o que a parte psicológica das pessoas e do mundo interagiria. E eram muitas pessoas.


Reinos, raças, cidades. Passado, presente e possível futuro. Histórias de vida, sofrimentos, amores, aventuras, filhos, heróis, grandes mentalidades, rainhas e princesas. Tudo aquilo acendeu dentro de nós um novo sentimento. Ninguém gostaria que aquilo acabasse. Mas um dia a história de seus personagens se encerrou. Este blog é basicamente a conexão viva com este mundo criado a tanto tempo e com tanto custo. Assim como o nosso mundo, Irígnia como é chamado pelos humanos, passou milhões de anos em formação e no último grupo de jogadores mais velhos, ele se mostrou independênte. E eu como pai dessa história estou disposto a deixa-la partir. Afinal o mundo real está aqui. E o lado positivo de estarmos do lado de fora da tela, é que podemos trocar o DVD e simplesmente "viver" outro capítulo.





















Eu lhes apresento :





A Cronica de Átala. (Livro 1)













(Desculpem os erros de gramática)